dia mundial do ambiente

Escola Secundária das Laranjeiras
no Jardim Botânico José do Canto

5 de Junho de 2014

Os professores Nélia Melo e Teófilo Braga, da Escola Secundária das Laranjeiras, dinamizaram uma ação de educação ambiental no Jardim Botânico José do Canto.

Esta atividade, realizada no Dia Mundial do Ambiente, integra-se no projeto de requalificação e abertura à sociedade deste notável jardim localizado no centro de Ponta Delgada.

Os alunos, do 11º ano, participaram num "Peddy Paper", que lhes permitiu adquirir conhecimentos sobre árvores notáveis do jardim, e assistiram à conferência "Biodiversidade e Sustentabilidade, um desafio que vem de dentro", proferida pelo Professor Doutor António Manuel Frias Martins, da Universidade dos Açores.

Peddy paper

Peddy paper

Peddy paper

Peddy paper

Peddy paper

Peddy paper

Conferência com o Professor Doutor António Manuel Frias Martins, do Departamento de Biologia da Universidade  dos Açores

Conferência com o Professor Doutor António Manuel Frias Martins, do Departamento
de Biologia da Universidade  dos Açores


Clipping

Dia Mundial do Ambiente — Alunos das Laranjeiras assinalam o dia no Jardim José do Canto, em Ponta Delgada Telejornal Açores, RTP-Açores, 5 de Junho de 2014 Clicar imagem para ver a partir dos 24m30s (aprox.)

Dia Mundial do Ambiente — Alunos das Laranjeiras assinalam o dia no Jardim José do Canto, em Ponta Delgada
Telejornal Açores, RTP-Açores, 5 de Junho de 2014
Clicar imagem para ver a partir dos 24m30s (aprox.)

Correio dos Açores, de 6 de Junho de 2014


Programa

Objetivos:

  • Educar para valorização/preservação do património natural.
  • Conhecer a Flora que faz parte do Jardim José de Canto.
  • Respeitar as regras estabelecidas para as saídas de campo.
  • Desenvolver o sentido de orientação.
  • Interpretar mapas e escalas.


Tarefas:

  • Realizar um Peddy paper
  • Participar de uma conferência subordinada ao tema “Biodiversidade e Sustentabilidade: um desafio que vem de dentro”
  • Confraternizar num piquenique


Organização 

Professores: Nélia Melo; Teófilo de Braga
Participantes: alunos do 11º ano, Turmas C e D 


Programa: 

  • Saída da escola 9:00 H
  • Peddy paper  9:30 H
  • Piquenique – 11:30 H
  • Conferência – 12:00H
    “Biodiversidade e Sustentabilidade: um desafio que vem de dentro
    Orador – Professor Doutor António Manuel Frias Martins, do Departamento de Biologia da Universidade  dos Açores

José do Canto nasceu, em Ponta Delgada, no dia 20 de Dezembro de 1820, sendo filho de José Caetano Dias do Canto Medeiros e de Margarida Isabel Botelho. Faleceu a 10 de Julho de 1898, tendo sido sepultado na Ermida de Nossa Senhora das Vitórias, edificada na margem da Lagoa das Furnas.

O seu pai, o morgado José Caetano Dias do Canto e Medeiros (1786-1858) pai de dezanove filhos de dois casamentos empenhou-se na criação dos filhos. De entres estes, José do Canto distinguia-se pelo seu interesse, desde criança pelos livros.

Em 1838, depois de ter aprendido as primeiras letras e frequentado aulas régias no Convento dos Gracianos, o seu pai revolveu matriculá-lo no Colégio de Fontenay-aux-Roses, em Paris, com vista, pensa-se, a prosseguir estudos universitários em França.

Pouco tempo depois de estar em França, ainda antes do final do referido ano, as saudades da família fez com que regressasse a São Miguel onde não terá ficado muito tempo, pois volta ao continente para frequentar os preparatórios da Universidade em Coimbra. Ainda não se havia adaptado à nova vida quando o pai ordena o seu regresso para se casar com uma jovem morgada, sua prima, Maria Guilhermina Taveira Brum da Silveira (1826-1887), que José do Canto não conhecia, mas cujo dote, no dizer de Carlos Riley, “ofuscava todos os cursos universitários deste mundo”.

José do Canto, com 22 anos, casou-se com Maria Guilhermina, de 16 anos, a 17 de Agosto de 1842, passando a ser um dos maiores proprietários dos Açores, com terrenos nas ilhas de São Miguel, Faial e Pico.

A relação de José do Canto com a natureza caraterizou-se, segundo Carlos Riley, “sempre por interesses bastante mais científicos e racionalistas: explorar os campos segundo os princípios da emergente agronomia e ordenar, qual demiurgo do novo século, a natureza em parques e jardins ao gosto de uma sensibilidade estética caracteristicamente romântica.”Para poder executar o que sonhava, José do Canto na primavera de 1846 vai a Londres, tendo aí visitado livrarias em busca das novidades sobre botânica e agricultura, visita viveiristas para escolha de plantas e contatou o arquiteto David Mocatta com vista ao desenho de um jardim e de um palacete que pretendia construir em Ponta Delgada o que não concretizou, mas criou um jardim que acabou por possuir “uma das mais notáveis coleções particulares de plantas e árvores então existentes em Portugal, da qual saíram numerosas espécies que foram enriquecer, entre outros, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra e os Kew Gardens de Londres” (Riley, 2001).

Foram vários os jardineiros que estiveram ao serviço de José do Canto, tendo sido o inglês George Brown o primeiro. Chegou a São Miguel, em 1845, segundo Albergaria (2000), “já nesse ano trabalha no delineamento das ruas, preparação dos solos e plantações”, seguindo “grosso modo” as diretivas de Mocatta. O jardim, que foi sendo construído ao longo do tempo, em 1856, terá cerca de “1028 géneros e aproximadamente 6000 espécies”, segundo uma nota de Ernesto do Canto escrita numa página em branco do manuscrito “Enumeração das principais plantas existentes no meu jardim de Sta Ana, na primavera de 1856”, da autoria de José do Canto.

Dez anos depois, Edmond Goeze, diretor do jardim Botânico de Coimbra, ao verificar a “pobreza” botânica do seu jardim, vem a São Miguel com o objetivo de colmatar aquela falha, levando de cá cerca de mil espécies, a maioria delas (mais de 800) do Jardim José do Canto. 

Num texto da sua autoria publicado, em 1867, com o título “A Ilha de São Miguel e o Jardim Botânico de Coimbra”, Goeze escreve: “O jardim do sr. José do Canto é inquestionavelmente o mais rico de todos, possuindo talvez mais de 3000 espécies. Nenhum dos jardins particulares, que tivemos ocasião de visitar na Europa lhe pode ser comparado…”.

A 14 de Março de 1879, o Jardim José do Canto recebeu a visita do futuro Príncipe Alberto I, do Mónaco, que, segundo Ernesto do Canto, para além de apreciar a extensão e a variedade das plantas existentes, admirou “os fetos arbóreos, os bambus e a coleção de azáleas”.

A 7 de Julho de 1901, El-Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia visitaram o Jardim tendo sido recebidos pela filha de José do Canto, D. Margarida e pelo seu marido Dr. Artur Hintze Ribeiro.

O jardim também recebeu as visitas dos Presidentes da República, Marechal Óscar Carmona, em 1941, Almirante Américo Tomaz, em 1972, e Dr. Mário Soares, em 1989.

De acordo com Augusto d’Albergaria (s/d) na década de 80 do século passado o Jardim foi inscrito no “Botanical Gardens Secretariat”, organismo dependente da UNESCO, “sendo hoje um dos poucos jardins botânicos portugueses que figuram no respetivo catálogo. Ainda de acordo com a mesma fonte, dois técnicos da referida organização estiveram em São Miguel onde terão elaborado um projeto de recuperação que já estaria em execução.

Pela resolução nº 144/95, de 10 de Agosto, do Governo Regional dos Açores, o Jardim Botânico José do Canto é imóvel de interesse público.

Em Dezembro de 2013, iniciou-se um projeto de requalificação, que é coordenado cientificamente pelo Doutor Raimundo Quintal, investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, que incide “sobretudo na limpeza de plantas invasoras, que durante anos foram invadindo o espaço, reabertura dos caminhos do jardim primitivo e colocação de placas de identificação nas espécies”, bem como a criação de um núcleo de flora dos Açores.

Embora o jardim atual, com 7 ha de área, não possua a riqueza florística do tempo de José do Canto é um um espaço de grande interesse paisagístico e botânico, povoado por árvores que impressionam pelo seu porte monumental ou pela sua morfologia singular: - árvores-da-borracha-australianas (Ficus macrophylla), pinheiros-de-damara (Agathis robusta), araucárias-de-bidwill (Araucaria bidwillii), melaleucas (Melaleuca linariifolia, Melaleuca styphelioides), turpentine (Syncarpia glomulifera) e eucaliptos (Eucalyptus globulus, Eucalyptus camaldulensis), indígenas da Austrália; pinheiros-da-Nova-Caledónia (Araucaria columnaris), da Nova Caledónia e das ilhas Novas Hébridas; metrosídero (Metrosideros excelsa), da Nova Zelândia; canforeiras (Cinnamomum camphora), do Japão, Ilha Formosa e Malásia; Elaeocarpus decipiens, do Japão, China e Coreia; podocarpos (Podocarpus macrophyllus), do Japão e da China; magnólias (Magnolia grandiflora) e cipreste-dos-pântanos (Taxodium distichum), do Sudeste da América do Norte; azinheiras (Quercus rotundifolia), do Sul da Europa e do Norte de África; carvalhos-roble (Quercus robur), da Europa; tis (Ocotea foetens), da Macaronésia. (http://www.josedocanto.com/sobre-about/).

A obra de José do Canto estendeu-se à agricultura, tendo criado o que se chamou a Casa Agrícola de José do Canto que produziu laranja, vinho (o vinho do Pico era a produção principal no grupo central), trigo, milho, leguminosas e chá.

José do Canto foi um dos principais dinamizadores da SPAM - Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, fundada em Janeiro de 1843, em reunião realizada na casa de seu pai, o morgado José Caetano Dias do Canto e Medeiros. 

A SPAM tinha como objetivo modernizar a agricultura micaelense, para tal montou “uma biblioteca e um gabinete de consultas agronómicas, organizou cursos avulsos de formação (deram-se, por exemplo, aulas de química para análise dos solos), cultivou viveiros com espécies a introduzir na ilha, e projetava a criação de uma quinta-modelo para escola-agrícola, de um banco rural para financiamento específico, pugnava pelo melhoramento das raças dos vários tipos de gado, a introdução das pastagens artificiais e a estabulação dos gados, propondo concursos de produção qualitativa, etc.”(Borges, 2007). Para a divulgação das mais recentes descobertas na área da agronomia, a SPAM editou um mensário, “O Agricultor Michalense”.

José do Canto não foi apenas um agricultor e apaixonado pela botânica, foi também um bibliófilo que se distinguiu pela sua coleção de obras de e sobre Luís de Camões, sendo a sua coleção camoniana considerada a segunda a nível nacional. Pela raridade das espécies, a sua livraria é uma das mais valiosas das existentes na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

Para além de muitos artigos publicados no Agricultor Micaelense e de pequenos opúsculos de interesse local, José do Canto escreveu: Calendário Rústico, 1851; Centenário de Camões. Catálogo da coleção camoniana exposta na Biblioteca de Ponta Delgada, 1880; Coleção Camoniana, 1895; Tarde e noite de Maio (novela inédita). 

José do Canto foi também um mecenas, tendo patrocinado uma bolsa que permitiu que Marciano Henriques da Silva estudasse em Paris e custeado a publicação de livros de Bulhão Pato e de Feliciano de Castilho.


Bibliografia

Albergaria, A. (s/d). Memória histórica e descritiva do Jardim José do Canto. Ponta Delgada. Policopiado

Albergaria, I. (2000). Quintas, jardins e parques da Ilha de São Miguel:785-1885. Lisboa: Quetzal editores.

Borges, P. (2008). O desenho do território e a construção da paisagem na ilha de S. Miguel, Açores, na segunda metade do século XIX, através de um dos seus protagonistas. Tese de Doutoramento. Universidade de Coimbra. Coimbra.

Riley, C. (2001). José do Canto retrato de um cavalheiro na primavera da vida. Arquipélago História, 2ª série, V. 211-264.

Mapa do Jardim Botânico José do Canto
(clique para ampliar)


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