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José do Canto (1820-1898) foi um homem rico, culto e amante da natureza. Profundo conhecedor dos segredos da botânica, estabeleceu contactos com jardins botânicos e viveiristas de todo o mundo, a quem comprou, vendeu ou trocou plantas. 

Desde os anos cinquenta do século XIX fez do seu jardim, no sítio de Santana, em Ponta Delgada, um extraordinário espaço de aclimatação para milhares de espécies, muitas delas utilizadas posteriormente nas suas matas ajardinadas das Furnas e da Lagoa do Congro. 

Edmond Goeze (1838-1929), botânico alemão, ao serviço do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, realizou em 1866 uma missão em São Miguel. Impressionado com os “jardins encantadores que existem em Ponta-Delgada”, escreveu que “o jardim do sr. José do Canto é inquestionavelmente o mais rico de todos, possuindo talvez mais de 3.000 espécies. Nenhum dos jardins particulares, que tivemos ocasião de visitar na Europa, lhe pode ser equiparado. Deve porem melhorar muito ainda, como estamos convencidos, logo que o distincto proprietario voltar de Paris, onde se tem demorado (Goeze, p.42). Foi neste jardim que podémos estudar a vegetação dos paizes estrangeiros; foi d’elle tambem que trouxemos mais de 800 especies, e ainda que nos não pertença agradecer tanta generosidade, estamos certos que o leitor nos desculpará de fazer aqui com toda a publicidade. Devemos agradecer tambem a Mr. Alexandre Reith, jardineiro em chefe, o muito que nos coadjuvou” (Goeze, p. 54-55).

José do Canto (1820-1898) was a cultured wealthy man and a nature lover. Well versed in the secrets of botany, he established contacts with botanical gardens and nurseries from around the world, from whose he bought, sold or exchanged plants.

Since the mid-19th Century he turned his garden, located in Santana, Ponta Delgada, into an outstanding space for the acclimation of thousands of species, many of them later introduced into his landscaped woods at Furnas and Lagoa do Congro. 

Edmond Goeze (1838-1929), a german botanist, on behalf of the Botanical Garden of Coimbra University, conducted in 1866 a mission in São Miguel. Impressed with the “lovely gardens that exist in Ponta Delgada”, he wrote that “the garden of Mr. José do Canto is unquestionably the richest of all, probably having over 3,000 species. None of the private gardens that we had a chance to visit in Europe can compare. However we are convinced that it will still improve a lot, as soon as its distinguished owner returns from Paris, where he has been staying at length (Goeze, p.42). It was in this garden that we were able to study the vegetation of foreign countries; and from it we also brought with us over 800 species, and although it is not our duty to thank for all the generosity, we are sure that the reader will forgive us for all this publicity. We must also thank Mr. Alexandre Reith, head gardener, for all the help he offered” (Goeze, p. 54-55).

“Na sequência de um difícil processo de partilhas o jardim é dividido, ficando a zona mais emblemática do jardim separada da casa bem como das quintas a norte. Foi por isso que durante os anos de 1950 Augusto Athayde empreendeu a construção do seu palacete em estilo neoclássico, escolhendo para tanto uma zona elevada e mais recuada, ao mesmo tempo que transformou o grande terreiro para acolher o monumento a José do Canto” (Albergaria, p. 59).

O jardim atual, com uma área de 5,8 ha, não possui a riqueza florística do tempo do seu criador, mas mantém o “verde cerrado e magnético”, que tanto impressionou Raul Brandão, na visita de 30 de Julho de 1924, e “árvores que infundem respeito (…), árvores cenográficas, cheias de força e amplidão ou transparentes e frágeis como vidro – pedaço dos trópicos transportados por mágica para Ponta Delgada” (Brandão, p. 125 e 126).

O Jardim José Canto é um espaço de grande interesse paisagístico e botânico, povoado por árvores que impressionam pelo seu porte monumental ou pela sua morfologia singular: - árvores-da-borracha-australianas (Ficus macrophylla), pinheiros-de-damara (Agathis robusta), araucárias-de-bidwill (Araucaria bidwillii), melaleucas (Melaleuca linariifolia, Melaleuca styphelioides), turpentine (Syncarpia glomulifera) e eucaliptos (Eucalyptus camaldulensis, Eucalyptus delegatensis, Eucalyptus robusta), indígenas da Austrália; pinheiros-da-Nova-Caledónia (Araucaria columnaris), da Nova Caledónia e das ilhas Novas Hébridas; metrosídero (Metrosideros excelsa), da Nova Zelândia; canforeiras (Cinnamomum camphora), do Japão, Ilha Formosa e Malásia; Elaeocarpus decipiens, do Japão, China e Coreia; podocarpos (Podocarpus macrophyllus), do Japão e da China; magnólias (Magnolia grandiflora) e cipreste-dos-pântanos (Taxodium distichum), do Sudeste da América do Norte; azinheiras (Quercus rotundifolia), do Sul da Europa e do Norte de África; carvalhos-roble (Quercus robur), da Europa; tis (Ocotea foetens), da Macaronésia.

O Jardim Botânico José do Canto é imóvel de interesse público (Resolução do Governo Regional dos Açores, nº 144/95, de 10 de Agosto), está inscrito no “Botanic Gardens Conservation Secretariat”, organismo dependente da UNESCO e figura no Guia Mundial dos Jardins Botânicos, editado pelo referido Secretariado.

“Following a complicated inheritance process the garden was divided, henceforth the garden’s most emblematic area became separated from the main house and the farms on the northern side. Thus, during the 1950s, Augusto Athayde undertook the construction of his manor in neoclassical style, placing it at a higher and more secluded area, and assigning the large yard to the monument to José do Canto” (Albergaria, p. 59).

The current garden, with an area of 5.8 ha, does not have the botanical wealth of the time of its creator, but it retains the “compact and magnetic green” which deeply impressed writer Raul Brandão, upon his visit of the 30th July 1924, and “trees that inspire respect (…), scenographical trees, full of power and amplitude or transparent and frail as glass – a piece of the tropics carried by magic to Ponta Delgada” (Brandão, p. 125 e 126).

The garden of José do Canto is a place of great landscape and botanical interest, populated by trees that impress with their monumental size or peculiar morphology: - Moreton Bay Figs (Ficus macrophylla), Queensland Kauris (Agathis robusta), Bunya Pines (Araucaria bidwillii), Paperbarks (Melaleuca linariifolia, Melaleuca styphelioides), Turpentine (Syncarpia glomulifera) and Eucalyptus (Eucalyptus camaldulensis, Eucalyptus delegatensis, Eucalyptus robusta), native of Australia; Caledonia Pines (Araucaria columnaris), of New Caledonia and New Hebrides islands; New Zealand Christmas Tree (Metrosideros excelsa), of New Zealand; Camphor Trees (Cinnamomum camphora), of Japan, Taiwan and Malaysia; Japanese Blueberry Tree (Elaeocarpus decipiens), of Japan, China and Korea; Bigleaf Podocarps (Podocarpus macrophyllus), of Japan and China; Magnolias (Magnolia grandiflora) and Swamp Cipress (Taxodium distichum), of southeast North America; Holm Oaks (Quercus rotundifolia), of southern Europe and northern Africa; Common Oaks (Quercus robur), of Europe; Stinklaurels (Ocotea foetens), of Macaronesia.

The José do Canto Botanical Garden is a public interest site (Resolution of the Azorean Government, nº 144/95, 10th August 1995), registered in the Botanic Gardens Conservation Secretariat, a branch of UNESCO, and it is featured in the World Guide of Botanic Gardens, published by the same organization.

O Jardim Botânico José do Canto está aberto todo o ano, com exceção dos dias 1 de Janeiro e 25 de Dezembro. 

Horário de Abertura: 

  • Inverno (Outubro – Março): 09:00-17:00
  • Verão (Abril – Setembro): 09:00-19:00

No piso térreo do palácio funciona a “Residencial Casa do Jardim”, podendo os hóspedes usufruir de toda a riqueza paisagística e botânica.

The garden is open all year round, except on the 1st January and 25th December.

Opening schedule: 

  • Winter (October-March):  9 a.m.-5 p.m.
  • Summer (April-September): 9 a.m.-7 p.m.

At the ground floor of the main house are the installations and facilities of the “Casa do Jardim” Lodge. Guests can freely enjoy all the landscape and botanic beauty.


Referências Bibliográficas • Bibliographic References

  • Albergaria, I. S. (2005) – Parques e Jardins dos Açores/Azores Parks and Gardens. Argumentum, Lisboa.
  • Brandão, R. (1987) – Ilhas Desconhecidas. Editorial Comunicação, Lisboa.
  • Goeze, E. (1867) – A Ilha de São Miguel e o Jardim Botânico de Coimbra. Imprensa da Universidade, Coimbra.

O Jardim Botânico José do Canto é membro do BGCI — Botanic Gardens Conservation International

José do Canto Botanic Garden is a member of BGCI — Botanic Gardens Conservation International